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Mai 18 2020

COVID-19: CONCERTAÇÃO REGIONAL SOBRE OS MERCADOS

IMPACTOS NO COMÉRCIO (TRANSPORTES E COMÉRCIO TRANSFRONTEIRIÇOS) NA SUB-REGIÃO E IMPLICAÇÕES POLÍTICAS

15/05/20

No dia 15 de maio de 2020, a CEDEAO organizou uma videoconferência para discutir as medidas de controle do coronavírus adotadas pelos estados membros da comunidade, e as consequências do fechamento dos mercados. Em abril, notou-se que a maioria dos países não fecharam mais do que 50% dos mercados agrícolas e pecuários, no entanto, alguns locais fecham de 60% a 100% dos mercados. Os participantes da conferência foram convidados a considerar 1/ como as medidas para conter a propagação do vírus afetaram os rendimentos dos produtores e como esses impactos podem ser aliviados dadas as dificuldades de acesso aos mercados; 2/ como as restrições têm afetado o acesso aos alimentos nas comunidades urbanas e rurais e 3/ contingências a longo prazo e medidas de ‘desconfinamento’ seguras, na medida em que as medidas de restrição não são aplicáveis por um período prolongado.

Martial Traoré, gerente de mercado do CILSS (Comitê interestadual permanente para o controle à seca no Sahel) afirmou que a situação econômica na região já era difícil antes do COVID19, considerando taxas de inflação acesso limitado a pastagens para as pecuárias etc. Apesar dos níveis satisfatórios de produção de alimentos, a insegurança alimentar permanece e estima-se que 19 milhões de pessoas precisarão de assistência alimentar. O diretor da Africa Logistics Magazine, Thierno Abdoulaye Diallo, discutiu do impacto do fechamento de fronteiras na cadeia logística que permite o transporte de produtos dos produtores aos consumidores. As consequências da interrupção da cadeia logística incluem danos a bens perecíveis que não podem ser comercializados; aumento de custos de transporte que resulta no aumento de preços para consumidores; e, dado a queda nos fluxos comerciais internos e transfronteiriços, redução de rendimento dos produtores. É previsto que o valor das trocas de bens agrícolas reduza por metade, dada a crise sanitária

Diallo recomendou que os governos se concentrassem no desenvolvimento do comércio eletrônico ou telefônicos, para facilitar o comércio através de encomendas. Sugeriu também que os governos apoiassem empresas pequenas e médias locais para ajudas na distribuição de produtos locais. Diallo falou sobre a promoção da agroecologia e subsídios para produtos alimentares, para promover a segurança alimentar na região.  COVID-19 chegou durante um período intenso na campanha agrícola na África Ocidental, foi sugerido pelo comissário agrícola da CEDEAO, Sekou Sankare, que os estados explorassem soluções recomendadas numa cimeira virtual realizada entres chefes de estados da comunidade no dia 23 de abril de 2020, particularmente que evitassem as restrições de importação nos países da CEDEAO.

Sankare incitou os estados membros da CEDEAO de aproveitar das políticas de mercado e outros mecanismos disponíveis. A comunidade econômica está atualmente no processo de implementar sistemas nacionais de estoque, e está em negociação com parceiros para adquirir recursos que visa ajudar a produção agrícola

Ao nível humanitário, o diretor regional do Programa Alimentar Mundial (PAM) Chris Nikoi, afirmou que as políticas implementadas durante a crise devem ser contextualizadas de acordo com a região; não podemos adotar medidas que protejam as pessoas do vírus, mas que juntamente aumentam as taxas de morbidade por outros motivos, como a fome. Insistiu que os governos devem garantir que os corredores humanitários permaneçam abertos e sugeriu que seja permitida flexibilidade para a cadeia logística, para que os consumidores possam ter acesso a alimentos e, da mesma forma, para que os produtores possam ter acesso a fertilizantes para continuarem a sua produção.

Os palestrantes todos concordaram da necessidade de coordenação entre os estados e entre instituições públicas, privadas e da sociedade civil para garantir que as populações sejam protegidas do vírus como dos efeitos de confinamento. É também necessário garantir que as economias da região possam ser reabilitadas durante o processo de desconfinamento de forma que não exacerba a situação sanitária.

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